Diagrama de Ishikawa: como essa ferramenta pode auxiliar a implementação do Planejamento Estratégico em programas de Pós-Graduação

Diagrama de Ishikawa: como essa ferramenta pode auxiliar a implementação do Planejamento Estratégico em programas de Pós-Graduação

Descubra como o Diagrama de Ishikawa pode auxiliar a implementação do planejamento estratégico nos PPGs, identificando causas de problemas e orientando decisões baseadas em dados.

Entre os diversos desafios enfrentados pelos programas de pós-graduação (PPGs) brasileiros, destaca-se a necessidade de adotar uma gestão cada vez mais analítica e orientada por evidências. A Avaliação Quadrienal da CAPES, que baliza o reconhecimento e o financiamento da pesquisa no país, exige das instituições um compromisso contínuo com a qualidade e a efetividade de suas ações.

Nesse contexto, o Planejamento Estratégico deixa de ser um documento meramente protocolar e passa a se consolidar como um instrumento essencial para orientar decisões, otimizar recursos e elevar o desempenho institucional.

Uma das ferramentas mais eficazes para apoiar esse processo é o Diagrama de Ishikawa, também conhecido como Diagrama de Causa e Efeito ou Espinha de Peixe. Desenvolvido na década de 1960 pelo engenheiro japonês Kaoru Ishikawa, o método foi inicialmente aplicado em processos industriais com o objetivo de identificar causas-raiz de falhas produtivas. Contudo, sua aplicabilidade rapidamente se expandiu para diferentes áreas, incluindo a gestão acadêmica e científica.

Nos PPGs, o Diagrama de Ishikawa pode ser utilizado como ferramenta diagnóstica. A técnica auxilia gestores e coordenadores a compreender, de forma estruturada, quais fatores internos e externos impactam negativamente indicadores-chave, como produção científica, tempo médio de titulação, evasão discente e captação de recursos.

Ao representar visualmente essas relações de causa e efeito, o método favorece a tomada de decisões estratégicas alinhadas às metas institucionais e às diretrizes da CAPES para o ciclo avaliativo 2025–2028.

O que é o Diagrama de Ishikawa?

O Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta gráfica utilizada para identificar, explorar e apresentar, de forma sistemática, todas as possíveis causas de um problema específico. Sua estrutura assemelha-se a uma espinha de peixe, onde o “efeito”  — isto é, o problema analisado — ocupa a extremidade direita, enquanto as “causas” são organizadas ao longo de ramificações principais, que representam diferentes categorias de origem.

No contexto da gestão acadêmica, , o diagrama funciona como ponto de partida para a construção de diagnósticos mais precisos. Por exemplo, diante de um cenário de baixa produção científica, a ferramenta permite detalhar fatores como sobrecarga docente, limitações de financiamento, insuficiência de infraestrutura ou fragilidades no apoio técnico.

Entre suas principais aplicações, destacam-se:

  • Diagnóstico de problemas que comprometem indicadores da CAPES;
  • Identificação de causas de baixo desempenho em linhas de pesquisa;
  • Planejamento de ações corretivas e preventivas;
  • Priorização de investimentos e estratégias de capacitação docente;
  • Apoio à autoavaliação institucional e aos relatórios quadrienais.

O diagrama também se destaca por estimular o pensamento coletivo. Sua aplicação promove o envolvimento de docentes, discentes e gestores no mapeamento das causas e na construção de soluções, fortalecendo a cultura de planejamento e de autoavaliação — princípios fundamentais para o desenvolvimento sustentável dos programas de pós-graduação.

Como elaborar um Diagrama de Ishikawa passo a passo

A construção do Diagrama de Ishikawa é um processo colaborativo e sequencial, que pode ser adaptado às especificidades de cada PPG. A seguir, apresenta-se uma metodologia aplicada ao contexto acadêmico, baseada nas etapas originalmente propostas por Ishikawa:

  1. Definição do problema: identificação clara do “efeito” a ser analisado, como “baixa internacionalização do programa” ou “redução na produção de artigos A1 e A2”.
  2. Formação de um grupo de trabalho: envolvimento de docentes, técnicos e discentes, garantindo diversidade de perspectivas.
  3. Identificação das categorias principais: geralmente baseadas nos “6M’s”, podendo ser ajustadas à realidade do PPG.
  4. Brainstorming das causas: levantamento das possíveis causas em cada categoria; por exemplo, em “Métodos”, a ausência de planejamento de publicações ou de metas de produção.
  5. Análise e priorização das causas: avaliação do impacto e da relevância de cada fator identificado.
  6. Elaboração de planos de ação: definição de estratégias corretivas, responsáveis e prazos, integrando o diagrama ao planejamento estratégico institucional.

Essa metodologia converte a análise qualitativa em uma ferramenta prática de gestão, conectando diagnóstico e ação — um dos princípios centrais do Planejamento Estratégico da CAPES.

Categorias clássicas do diagrama (6M’s)

O Diagrama de Ishikawa tradicionalmente se estrutura em seis categorias, conhecidas como os 6M’s: Materiais, Máquinas, Mão de obra, Meio ambiente, Medição e Métodos. Embora originadas no contexto industrial, elas podem ser reinterpretadas e aplicadas à realidade da pós-graduação.

  1. Materiais: insumos necessários às atividades acadêmicas, como bases de dados científicas, bibliografia atualizada, laboratórios e softwares especializados.
  2. Máquinas: recursos tecnológicos e estruturais, incluindo sistemas de gestão, conectividade digital e plataformas de submissão de artigos.
  3. Mão de obra: capital humano do programa, envolvendo a qualificação, o engajamento e a distribuição da carga de trabalho de docentes, técnicos e discentes.
  4. Meio ambiente: contexto institucional e organizacional, como políticas de fomento, cultura de colaboração, clima organizacional e condições físicas de trabalho.
  5. Medição: forma como os resultados são mensurados, considerando a qualidade e a confiabilidade dos indicadores adotados (produção científica, tempo de titulação, impacto e empregabilidade dos egressos).
  6. Métodos:  processos e rotinas do programa, como planejamento de publicações, gestão de orientações, definição de metas e acompanhamento sistemático.

A aplicação desses eixos promove uma análise sistêmica, permitindo que os gestores visualizem não apenas os sintomas, mas as causas estruturais dos problemas enfrentados.

Vantagens e limitações do uso do Diagrama de Ishikawa

O Diagrama de Ishikawa é amplamente valorizado por sua capacidade de simplificar problemas complexos sem perder profundidade analítica. Entre suas principais vantagens, destacam-se:

  • Visão holística dos fatores humanos, estruturais e metodológicos;
  • Facilidade de aplicação, sem necessidade de softwares sofisticados;
  • Estímulo à participação coletiva;
  • Integração direta ao Planejamento Estratégico;
  • Fortalecimento da cultura de autoavaliação.

Entretanto, o método apresenta limitações. O diagrama, por si só, não oferece soluções; ele aponta caminhos que precisam ser interpretados e transformados em ações concretas. Além disso, quando utilizado sem dados consistentes, pode tornar-se excessivamente subjetivo. Por essa razão, recomenda-se que sua aplicação seja sempre sustentada por indicadores quantitativos e qualitativos confiáveis.

O Diagrama de Ishikawa como ferramenta de apoio ao Planejamento Estratégico em programas de pós-graduação

Nos programas de pós-graduação, o Planejamento Estratégico exige clareza diagnóstica: compreender a posição atual do programa, identificar fatores limitantes e reconhecer oportunidades de melhoria no desempenho avaliativo da CAPES. Nesse sentido, o Diagrama de Ishikawa atua como um elo entre análise e ação.

Ao identificar, por exemplo, a redução na produção de publicações qualificadas, o coordenador pode mapear causas como insuficiência de tempo para pesquisa, falta de incentivo à coautoria, limitações de infraestrutura ou lacunas na formação metodológica dos discentes. A partir desse diagnóstico, torna-se possível priorizar estratégias como incentivo à colaboração interinstitucional, criação de programas de estímulo à produção científica ou ampliação do apoio institucional.

O método também pode ser aplicado a outros desafios estruturais, como evasão discente, baixa captação de recursos e internacionalização limitada. Ao estruturar visualmente essas informações, o diagrama facilita o entendimento coletivo e a priorização de ações, integrando-se a outras ferramentas analíticas, como a matriz SWOT, em consonância com o modelo de análise multidimensional da CAPES.

Mais do que um instrumento técnico, o uso do Diagrama de Ishikawa representa uma mudança cultural, substituindo percepções isoladas por análises fundamentadas em evidências e promovendo uma visão compartilhada de desenvolvimento institucional.

Stela Experta©-PG: apoio estratégico ao monitoramento dos PPGs nas Avaliações Quadrienais da CAPES

Para que o Diagrama de Ishikawa e outras ferramentas de planejamento estratégico sejam aplicados com precisão, é fundamental dispor de dados confiáveis e atualizados. Nesse aspecto, o Stela Experta©-PG se destaca como uma solução estratégica.

O módulo de Pós-Graduação da plataforma Stela Experta© integra dados provenientes das bases Lattes e Sucupira, além de fontes institucionais e bibliométricas, oferecendo uma visão abrangente do desempenho dos PPGs. A ferramenta possibilita analisar indicadores de produção científica, titulação, orientação, captação de recursos, impacto e inserção social, de forma segmentada e comparável.

Essa abordagem fortalece a aplicação do Diagrama de Ishikawa, permitindo que as análises sejam sustentadas por dados concretos. Assim, as informações geradas pelo Stela Experta©-PG tornam-se insumos diretos para o diagnóstico institucional e para a construção de planos de melhoria contínua.

O uso integrado dessas ferramentas amplia a capacidade analítica dos gestores, fortalece a cultura de planejamento e contribui para o alinhamento dos programas de pós-graduação aos critérios de excelência definidos pela CAPES.

Plataforma Stela Experta©

💻‍ Plataforma Stela Experta©

Soluções para embasar a tomada de decisões estratégicas em ciência, tecnologia e inovação para as IES e ICTIs

Módulo Pesquisa: Solução para apoiar a gestão estratégica nas Instituições de Ensino Superior, integrando diversas fontes de informação nacionais e internacionais em CT&I, possibilitando que o gestor responda de forma ágil e assertiva a questões sobre a produção intelectual, projetos de P&D, perfil e expertises dos docentes, discentes e grupos de pesquisa da instituição, bem com sobre sua infraestrutura laboratorial.

Módulo Pós-Graduação: Solução para avaliar e acompanhar a performance dos PPGs da Instituições de Ensino Superior no decorrer das quadrienais, baseado em critérios utilizados pelas áreas de avaliação da Capes. A partir dos dados da Plataforma Sucupira, possibilita que o gestor realize benchmarkings entre os PPGs da IES e seus programas pares e identifique os docentes que estão acima/abaixo da média em cada indicador monitorado.

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