Como implementar o Planejamento Estratégico em Programas de Pós-Graduação?

Entenda como implementar o Planejamento Estratégico em Programas de Pós-Graduação e veja como ferramentas de gestão podem fortalecer os resultados da sua IES ao longo das quadrienais da CAPES.
A gestão dos Programas de Pós-Graduação (PPGs) no Brasil tem se tornado progressivamente mais complexa, especialmente diante do rigor e da sofisticação dos processos avaliativos conduzidos pela CAPES. Nesse cenário, torna-se insuficiente operar apenas com rotinas administrativas. É fundamental adotar uma abordagem estratégica, capaz de articular indicadores, metas e resultados de forma contínua e integrada.
Implementar o Planejamento Estratégico em programas de pós-graduação deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a constituir uma prática essencial de gestão acadêmica responsável e sustentável. O planejamento assume papel central não apenas como instrumento administrativo, mas como mecanismo estruturante do desenvolvimento científico, da formação qualificada e do impacto social da pós-graduação.
O Caderno Técnico da CAPES (Volume 1, Número 1), intitulado “Planejamento Estratégico: uma possibilidade metodológica para programas de pós-graduação”, elaborado por Walner Mamede, oferece uma base conceitual e metodológica consistente para coordenadores e gestores estruturarem, implementarem e monitorarem estratégias alinhadas à Avaliação Quadrienal 2025–2028. O documento reforça que planejar não é apenas prever cenários, mas organizar esforços de maneira consciente, colaborativa e orientada por evidências.
A CAPES destaca que os programas que demonstram clareza estratégica, com ações justificadas por dados, metas e resultados verificáveis, são aqueles que avançam rumo a patamares mais elevados de excelência acadêmica.
Conteúdo deste Post
Delimitação do problema-objeto
Antes de implementar o Planejamento Estratégico em programas de pós-graduação, é fundamental realizar a delimitação do problema-objeto, considerando tanto o contexto interno quanto o externo do PPG.
No âmbito interno, devem ser identificadas lacunas de desempenho, como baixa produtividade docente, evasão discente, fragilidade das linhas de pesquisa ou distribuição desigual de orientações. No contexto externo, é necessário observar o ambiente institucional e regulatório, incluindo mudanças nos critérios da CAPES, demandas regionais de desenvolvimento e tendências de internacionalização.
Um problema-objeto bem definido não é necessariamente aquele que apresenta o maior número de dificuldades, mas aquele cuja resolução possui maior potencial de impacto sobre os resultados globais do programa. A clareza nessa etapa orienta a coleta de dados, o engajamento da equipe e a priorização das ações, evitando planos genéricos e pouco eficazes.
Em síntese, a delimitação do problema constitui o ponto de partida que conecta o planejamento estratégico à missão institucional e à visão de futuro do PPG.
Definição de identidade e horizontes
Com o problema central delimitado, o passo seguinte é a definição da identidade e dos horizontes estratégicos do programa. Essa etapa envolve responder a três questões fundamentais: quem somos, onde queremos chegar e como pretendemos alcançar esse futuro.
A identidade do PPG é expressa por sua missão, visão e valores. A missão traduz o propósito e a relevância do programa no contexto institucional e social; a visão define o cenário desejado em médio e longo prazo — como alcançar excelência nacional ou consolidar determinadas linhas de pesquisa; e os valores refletem os princípios éticos e acadêmicos que orientam as decisões.
Os horizontes estratégicos complementam essa definição ao estabelecer prazos, metas e objetivos concretos. Trata-se de transformar a visão em objetivos mensuráveis, acompanhados de indicadores de desempenho e responsabilidades claramente atribuídas.
O Caderno Técnico da CAPES recomenda que esses horizontes sejam definidos com base em evidências e articulados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reforçando o compromisso social da pós-graduação.
Ao explicitar sua identidade e seus horizontes, o PPG fortalece o senso de direção coletiva e alinha expectativas entre docentes, discentes e gestores, criando as bases para um planejamento coerente e consistente.
Análise do contexto
A análise do contexto é a etapa que converte o diagnóstico institucional em conhecimento estratégico. Para implementar o Planejamento Estratégico em programas de pós-graduação, é imprescindível compreender os fatores internos e externos que influenciam o desempenho do programa, identificando potencialidades e riscos.
No âmbito interno, devem ser analisados aspectos como o perfil do corpo docente, a produção científica, a infraestrutura disponível, o perfil discente, os mecanismos de governança e a gestão financeira. Externamente, é importante considerar as políticas institucionais, as oportunidades de fomento, o cenário científico nacional e internacional e as possibilidades de cooperação acadêmica.
Uma ferramenta amplamente utilizada nessa etapa é a Matriz SWOT, que permite identificar forças e fraquezas (fatores internos), bem como oportunidades e ameaças (fatores externos). Quando aplicada aos PPGs, essa metodologia contribui para uma leitura crítica da realidade e para a definição de prioridades estratégicas.
Além disso, a análise do contexto deve ser sustentada por dados quantitativos e qualitativos, como relatórios de produção científica, indicadores de titulação, níveis de internacionalização, avaliações de egressos e feedbacks de discentes. Quanto mais robusto for esse diagnóstico, maior será a eficácia das ações estratégicas subsequentes.
Elaboração do Plano de Ações Estratégicas
A elaboração do Plano de Ações Estratégicas é o momento em que o planejamento assume uma dimensão operacional. Nessa etapa, as diretrizes estratégicas são convertidas em iniciativas concretas, com definição de metas, prazos, responsáveis e recursos necessários.
O Caderno Técnico da CAPES recomenda que o plano contemple, no mínimo, quatro dimensões fundamentais:
- Gestão Acadêmica e Administrativa – aprimoramento da governança interna, otimização de processos e transparência nas decisões.
- Formação e Titulação – qualificação das orientações, redução da evasão e fortalecimento dos mecanismos de acompanhamento discente.
- Produção Científica e Tecnológica – estímulo à publicação qualificada, à cooperação interinstitucional e à inovação.
- Inserção e Impacto Social – fortalecimento da relação entre o PPG e a sociedade, com foco na transferência de conhecimento e no desenvolvimento regional.
Cada dimensão deve conter objetivos estratégicos claros e indicadores de monitoramento alinhados aos critérios da CAPES. Metas relacionadas à publicação em periódicos qualificados, à participação em redes colaborativas ou à celebração de convênios internacionais devem ser acompanhadas por indicadores de impacto e produtividade.
A elaboração do plano deve ocorrer de forma participativa, envolvendo docentes, discentes e técnicos administrativos, o que amplia o comprometimento coletivo e assegura a viabilidade das metas estabelecidas.
Implementação do Planejamento Estratégico
A implementação do Planejamento Estratégico é a etapa que transforma o plano em ação. Para isso, é necessário instituir uma estrutura de governança que garanta o acompanhamento contínuo das metas e a revisão periódica das estratégias.
Um dos principais desafios dessa fase é assegurar a continuidade das ações ao longo da quadrienal, especialmente diante da rotatividade de gestores e das limitações operacionais. Por essa razão, recomenda-se a criação de comissões permanentes de acompanhamento, com reuniões regulares para análise de indicadores, avaliação de resultados e ajustes estratégicos.
O monitoramento do desempenho é um elemento-chave. As metas definidas devem ser acompanhadas por métricas objetivas, que permitam avaliar se as ações estão produzindo os resultados esperados. Ferramentas digitais de gestão acadêmica, como painéis de indicadores, relatórios analíticos e sistemas de autoavaliação, são fundamentais nesse processo.
A CAPES também destaca a importância da integração institucional. O planejamento do PPG deve estar alinhado ao planejamento estratégico da IES, garantindo coerência entre as metas do programa e os objetivos institucionais mais amplos.
Stela Experta©-PG: uma ferramenta completa para monitorar indicadores estratégicos dos programas de pós-graduação ao longo das Quadrienais da Capes
O sucesso na implementação do Planejamento Estratégico em programas de pós-graduação depende, em grande medida, da capacidade de transformar dados em decisões qualificadas. Nesse contexto, o O sucesso na implementação do Planejamento Estratégico em programas de pós-graduação depende, em grande medida, da capacidade de transformar dados em decisões qualificadas. Nesse contexto, o Stela Experta©-PG se consolida como uma ferramenta estratégica de apoio à gestão.
O módulo de Pós-Graduação da Plataforma Stela Experta© integra informações provenientes de bases, como Lattes, Sucupira e repositórios institucionais, oferecendo painéis analíticos com indicadores sobre produção científica, formação discente, orientações concluídas, inserção social e internacionalização. Os dados podem ser filtrados por período, área de avaliação ou docente, proporcionando uma visão precisa do desempenho do PPG.
Além disso, a ferramenta permite acompanhar a evolução dos indicadores ao longo das quadrienais da CAPES, identificando tendências, lacunas e oportunidades de melhoria. Essa abordagem baseada em evidências fortalece a implementação e a revisão contínua do planejamento estratégico.
Ao utilizar o Stela Experta©-PG como aliado, gestores conseguem alinhar ações de curto, médio e longo prazo, fortalecer a governança e direcionar esforços para resultados consistentes, que são fundamentais para a consolidação de uma cultura de excelência acadêmica e institucional.
💻 Plataforma Stela Experta©
Soluções para embasar a tomada de decisões estratégicas em ciência, tecnologia e inovação para as IES e ICTIs
Módulo Pesquisa: Solução para apoiar a gestão estratégica nas Instituições de Ensino Superior, integrando diversas fontes de informação nacionais e internacionais em CT&I, possibilitando que o gestor responda de forma ágil e assertiva a questões sobre a produção intelectual, projetos de P&D, perfil e expertises dos docentes, discentes e grupos de pesquisa da instituição, bem com sobre sua infraestrutura laboratorial.
Módulo Pós-Graduação: Solução para avaliar e acompanhar a performance dos PPGs da Instituições de Ensino Superior no decorrer das quadrienais, baseado em critérios utilizados pelas áreas de avaliação da Capes. A partir dos dados da Plataforma Sucupira, possibilita que o gestor realize benchmarkings entre os PPGs da IES e seus programas pares e identifique os docentes que estão acima/abaixo da média em cada indicador monitorado.

